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quarta-feira, 25 de junho de 2014

DEUS FEZ GRAÇA


João Batista, é sem dúvida uma figura fundamental na Escritura, ele faz a ponte entre o Antigo e Novo Testamento. Como profeta escatológico, a sua presença é marcada pela sua posição forte no que respeita ao arrependimento, ele é a “voz que grita do deserto” (Jo 1,23), o que prepara a vinda do Cordeiro de Deus.
O próprio Jesus terá feito parte do grupo de João seguindo-o junto ao rio Jordão, na zona do deserto, antes da sua vida publica na Galileia; aliás será deste grupo que se “apresentarão” os primeiros discípulos (cf. Jo1,35-51). Sem entrar nas questões ligadas a Jo 4,25 ss, João o Arauto do Deserto, tem na força da sua palavra o própria missão que o faz ser escolhido já no seio de sua mãe: a de mostrar Aquele ao qual não era digno de descalçar as sandálias (cf. Mt 3,11)

A sua importância, muitas vezes esquecida por entre sardinhas e sangria, é tanta que, juntamente com Maria Santíssima o único Santo que é celebrado, na liturgia da Igreja, o seu nascimento para o mundo, aliás notemos que no anúncio do anjo a Maria, também foi anunciado o nascimento de João:

“Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamam estéril, porque nada é impossível a Deus” (Lc 1,36-38)



Aliás foi baseada nesta passagem de Lucas que a Igreja decidiu apontar o nascimento de João para junho, sendo que o de Jesus é em dezembro, ou seja, um seis meses um após o outro. No entanto esta decisão da Igreja prende-se também com os solstícios  de Verão e Inverno, em que para além de se fazer uma oposição forte contra os cultos pagãos, tem também um significado mais profundo:
“Ele é que deve crescer e eu diminuir” (Jo 4, 30), dando-se assim uma ligação belíssima com o próprio ritmo do brilho dos dias.

 
Peçamos a S. João que faça de todos nós anunciantes da Boa Nova, não apenas enquanto palavras ditas, mas também fazendo da Palavra exemplo nas nossas vidas das maravilhas do Senhor.

"“Eu não sou o Messias, mas apenas o enviado à sua frente” O esposo é aquele a quem pertence a esposa; mas o amigo do esposo, que está sentado ao seu lado e o escuta, sente muita alegria com a voz do esposo. Pois esta é a minha alegria! E tornou-se completa”"
(Jo 4,28-29)



Que a Graça de Deus, ligado ao próprio nome João,
Esteja sempre presente voz,

Pax Christi.

 


terça-feira, 24 de junho de 2014

Leão Dehon - João Batista


João ainda não nascera quando Jesus e Maria vão visitá-lo à Judeia. Estremece no seio de sua mãe. É abençoado e santificado pela presença de Jesus e pela visita de Maria. É um amigo para Jesus, di-lo ele mesmo: «O amigo do esposo, diz, alegra-se quando escuta a voz do seu amigo, é por isso que hoje estou alegre» (Jo 3, 29). Quando Jesus menino volta do Egipto, visita o seu pequeno amigo passando pela Judeia. Cada ano, nos dias de Páscoa, estão juntos em Jerusalém. Reencontram-se no Jordão. S. João conhece a missão do seu amigo e parente, proclama a sua missão: «Eis, diz, o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira os pecados do mundo». Pregam um ao outro, mas S. João envia os seus discípulos a Cristo. Recebe as suas graças de Jesus e conduz as almas a Jesus. Tal deve ser a nossa união com Jesus e Maria. Maria dar-nos-á Jesus. Sede amigos para Jesus pela vossa assiduidade, pelo vosso afeto, pela vossa confiança. Conduzamos-lhe as almas, não procuremos em nada reter a sua afeição por nós, admiremos nisto o desapego de S. João. Ide a Jesus, diz a todos, nada sou senão uma voz que prega no deserto, não sou digno de desatar os seus sapatos. 

(Leão Dehon, OSP 3, p. 689). 

domingo, 22 de junho de 2014

Notícias: Radio Renascença - Anne-Marie Pelletier distinguida com Prémio Ratzinger

Biblista francesa Anne-Marie Pelletier distinguida na quarta edição do Prémio Ratzinger



O Vaticano revelou esta terça-feira que a quarta edição do Prémio Ratzinger, considerado o “Nobel” da Teologia, vai distinguir este ano pela primeira vez uma mulher, a biblista francesa Anne-Marie Pelletier. 





O anúncio foi feito em conferência de imprensa pelo cardeal Camillo Ruini, presidente do comité científico da Fundação do Vaticano ‘Joseph Ratzinger-Bento XVI’. 

“A professora Pelletier é uma personalidade de forte relevo no catolicismo francês contemporâneo, que une a um prestigiado mérito científico e a uma grande e versátil vivacidade cultural uma verdadeira dedicação a causas muito importantes pelo testemunho cristão na sociedade”, justificou o cardeal Ruini. 

Anne-Marie Pelletier, especialista em hermenêutica e exegese bíblica, também se dedicou ao estudo da “questão da mulher no cristianismo e na Igreja”. 

O prémio vai ser entregue a 22 de Novembro e distingue ainda o padre Waldemar Chrostowski, biblista e promotor do diálogo católico-judaico. 

O sacerdote, primeiro polaco a receber esta distinção, foi apresentado como uma pessoa que “une ao rigor científico a paixão pela Palavra de Deus, o serviço à Igreja e a solicitude pelo diálogo inter-religioso”. 

O Prémio Ratzinger tem como objectivo chamar a atenção da opinião pública sobre os temas teológicos.

Rádio Renascença


domingo, 15 de junho de 2014

UM DINAMISMO DE AMOR


O Amor de Deus anima toda a criação assumindo o rosto do mistério da Trindade. Os três definem-se na Sua própria individualidade, mas assumem-se através da unidade inserida na relação perfeita de Um no Outro; desta relação mútua é nos apresentada a Sua capacidade de existir e de fazer comunhão.

Não existe uma Pessoa sem a Outra Pessoa...

O Seu Reino apresenta-se constituído pela indissolúvel relação de Amor-Ágape, este dinamismo é assim assumido por nós no pratica do amor ao próximo enquanto caminho na direção a Deus. Mais do que relações sacrificiais ou cultuais, aquilo que Deus quer: é o nosso coração, é o nosso sim, em aceitarmos a sua presença como chama que nos abre a existência à dimensão da caridade.
Sem dúvida que o acolhimento de Deus ultrapassa a própria religião, Deus é sempre acolhido e entendido dentro da extrema fragilidade da nossa vida, a relação com Deus tem sempre uma particularidade individual à qual devemos respeitar.

Assim é importante termos a noção plena, de que nunca iremos possuir Deus, Ele não se conquista a partir da nossa inteligência nem tão pouco dos nossos méritos, é Ele que nos conquista através do Dom que que recebemos (imerecidamente).
Ao ser “escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (1 Cor 1,23), fica bem presente a Sua indominável essência, mesmo dentro da própria lógica humana.

 
Deus encontra-se acima dos nossos critérios... 

Não remetamos Deus apenas para as práticas religiosas, não o fechemos em orações extremamente palavrosas e ditas quase mecanicamente, sem saborear as palavras, retirando muitas vezes a sensibilidade mística.

A oração deve ser uma abertura ao silêncio orante no qual fazemos a experiência pessoal com mistério de Deus. É neste ir ao fundo do nosso próprio mistério de viver, que muitas vezes encontramos os sinais que nos dão sentido à existência. Para o crente a vida é uma permanente “história de amor” na qual nos lançamos aos “braços” de Deus.

É pois necessário deixarmos Deus ser Deus, em todas as circunstâncias da vida...




Deus é o mistério de uma dinâmica que se comunica entre Pai e Filho transbordando em Amor. Um amor que é “Emanuel”, envolvendo-nos pela suavidade do Espírito Divino.






domingo, 8 de junho de 2014

Invocação pela Paz ... Papa Francisco

INVOCAÇÃO PELA PAZ
PALAVRAS DO PAPA FRANCISCO
Domingo, 8 de Julho de 2014



Senhores Presidentes,
Com grande alegria vos saúdo e desejo oferecer, a vós e às ilustres Delegações que vos acompanham, a mesma recepção calorosa que me reservastes na minha peregrinação há pouco concluída à Terra Santa.
Agradeço-vos do fundo do coração por terdes aceite o meu convite para vir aqui a fim de, juntos, implorarmos de Deus o dom da paz. Espero que este encontro seja o início de um caminho novo à procura do que une para superar aquilo que divide.
E agradeço a Vossa Santidade, venerado Irmão Bartolomeu, por estar aqui comigo a acolher estes hóspedes ilustres. A sua participação é um grande dom, um apoio precioso, e é testemunho do caminho que estamos a fazer, como cristãos, rumo à plena unidade.
A vossa presença, Senhores Presidentes, é um grande sinal de fraternidade, que realizais como filhos de Abraão, e expressão concreta de confiança em Deus, Senhor da história, que hoje nos contempla como irmãos um do outro e deseja conduzir-nos pelos seus caminhos.
Este nosso encontro de imploração da paz para a Terra Santa, o Médio Oriente e o mundo inteiro é acompanhado pela oração de muitíssimas pessoas, pertencentes a diferentes culturas, pátrias, línguas e religiões: pessoas que rezaram por este encontro e agora estão unidas connosco na mesma imploração. É um encontro que responde ao ardente desejo de quantos anelam pela paz e sonham um mundo onde os homens e as mulheres possam viver como irmãos e não como adversários ou como inimigos.
Senhores Presidentes, o mundo é uma herança que recebemos dos nossos antepassados​​, mas é também um empréstimo dos nossos filhos: filhos que estão cansados ​​e desfalecidos pelos conflitos e desejosos de alcançar a aurora da paz; filhos que nos pedem para derrubar os muros da inimizade e percorrer a estrada do diálogo e da paz a fim de que triunfem o amor e a amizade.
Muitos, demasiados destes filhos caíram vítimas inocentes da guerra e da violência, plantas arrancadas em pleno vigor. É nosso dever fazer com que o seu sacrifício não seja em vão. A sua memória infunda em nós a coragem da paz, a força de perseverar no diálogo a todo o custo, a paciência de tecer dia após dia a trama cada vez mais robusta de uma convivência respeitosa e pacífica, para a glória de Deus e o bem de todos.
Para fazer a paz é preciso coragem, muita mais do que para fazer a guerra. É preciso coragem para dizer sim ao encontro e não à briga; sim ao diálogo e não à violência; sim às negociações e não às hostilidades; sim ao respeito dos pactos e não às provocações; sim à sinceridade e não à duplicidade. Para tudo isto, é preciso coragem, grande força de ânimo.
 A história ensina-nos que as nossas meras forças não bastam. Já mais de uma vez estivemos perto da paz, mas o maligno, com diversos meios, conseguiu impedi-la. Por isso estamos aqui, porque sabemos e acreditamos que necessitamos da ajuda de Deus. Não renunciamos às nossas responsabilidades, mas invocamos a Deus como acto de suprema responsabilidade perante as nossas consciências e diante dos nossos povos. Ouvimos uma chamada e devemos responder: a chamada a romper a espiral do ódio e da violência, a rompê-la com uma única palavra: «irmão». Mas, para dizer esta palavra, devemos todos levantar os olhos ao Céu e reconhecer-nos filhos de um único Pai.
A Ele, no Espírito de Jesus Cristo, me dirijo, pedindo a intercessão da Virgem Maria, filha da Terra Santa e Mãe nossa:
Senhor Deus de Paz, escutai a nossa súplica!
Tentámos tantas vezes e durante tantos anos resolver os nossos conflitos com as nossas forças e também com as nossas armas; tantos momentos de hostilidade e escuridão; tanto sangue derramado; tantas vidas despedaçadas; tantas esperanças sepultadas... Mas os nossos esforços foram em vão. Agora, Senhor, ajudai-nos Vós! Dai-nos Vós a paz, ensinai-nos Vós a paz, guiai-nos Vós para a paz. Abri os nossos olhos e os nossos corações e dai-nos a coragem de dizer: «nunca mais a guerra»; «com a guerra, tudo fica destruído»! Infundi em nós a coragem de realizar gestos concretos para construir a paz. Senhor, Deus de Abraão e dos Profetas, Deus Amor que nos criastes e chamais a viver como irmãos, dai-nos a força para sermos cada dia artesãos da paz; dai-nos a capacidade de olhar com benevolência todos os irmãos que encontramos no nosso caminho. Tornai-nos disponíveis para ouvir o grito dos nossos cidadãos que nos pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz, os nossos medos em confiança e as nossas tensões em perdão. Mantende acesa em nós a chama da esperança para efectuar, com paciente perseverança, opções de diálogo e reconciliação, para que vença finalmente a paz. E que do coração de todo o homem sejam banidas estas palavras: divisão, ódio, guerra! Senhor, desarmai a língua e as mãos, renovai os corações e as mentes, para que a palavra que nos faz encontrar seja sempre «irmão», e o estilo da nossa vida se torne: shalom, paz, salam! Amen.