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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Falecimento : FreiJoaquim Monteiro OfmCap.

A Província Portuguesa dos Franciscanos Capuchinhos,
partilha com todos os amigos a notícia da Ressurreição do Frei Joaquim Monteiro.
Todos juntos celebraremos a Eucaristia de Acção de Graças, na Igreja dos Capuchinhos do Amial (Porto), sexta-feira pelas 14.30. O funeral seguirá depois para o cemitério de Paranhos onde será sepultado.
Voltaremos a reunir-nos para celebrar e agradecer ao Senhor o dom da vida do Frei Joaquim Monteiro, no próximo dia 13 de Maio pelas 19.00.






Frei JOAQUIM MONTEIRO
[1934 – 2015]
80 anos de Vida  |  62 de Vida Religiosa  |  56 de Sacerdócio






Fr. Joaquim Monteiro, filho de Manuel Monteiro e de Custódia Maria da Costa Ramos, nas­ceu em Sera­fão, concelho de Fafe, a 29 de Julho de 1934. É irmão do saudoso D. António Mon­teiro [+ 2004], capuchinho e Bispo de Viseu. Entrou para o Seminário dos Capuchi­nhos no Porto a 3 de Outubro de 1947. Vestiu o hábito na Ordem dos Franciscanos Capuchinhos a 1 de Agosto de 1951 e a 6 de Agosto de 1952 fez a sua Profissão temporária dos votos religiosos, emitindo a Profis­são perpé­tua em Salamanca, a 10 de Agosto de 1955. A 21 de Feve­reiro de 1959, na Cate­dral de Sala­manca, foi ordenado sacerdote por Dom Fran­cisco Bar­bado Vi­ejo. Fez os seus estu­dos superiores em Salamanca, de 1955 a 1959, obtendo na Universi­dade Pontifícia, em 1960, a Licen­ci­atura em Teologia.
Integrou quase sempre a Fraternidade do Porto, tendo passado também por Barcelos e Gondo­mar. Foi Director das revistas «Paz e Bem» (1960-1969) e «Bíblica» (1978-1987), onde dei­xou deze­nas de arti­gos publicados, particularmente nesta última. Foi da sua iniciativa terem-se ini­ciado na revista BÍBLICA os comentários às Leituras Dominicais, a partir de 1978.
Algumas publicações do Fr. Joaquim Monteiro:
– «Dinami­zação Bíblica do Povo de Deus», Difu­sora Bíblica, Lisboa, 1978, 204 págs.; «O mistério da Igreja no Itinerário Catecumenal», Telos, Porto, 1986, 96 págs.; Alguns estudos científicos publicados em separa­tas, como: «Eclesiologia e eclesiologias», Porto, 1981, 47 p., Humanística e Teologia, t. II, f. 1), «Itinerário espiritual de São Francisco de Assis», Porto, 1981, 40 p., Humanística e Teologia, t. II, f. 3), «O Diabo na teologia e a teologia do Diabo», Porto, 1984, 56 p., Humanística e Teologia, t. V, f. 1), «A dinâmica mís­tica da Vida Espiri­tual», Porto, 1987, 48 p., Humanís­tica e Teologia, t. VIII, f. 1.
Esteve ainda na base da elaboração dos conteú­dos para o I e II Cursos de Dinamização Bíblica, inicia­dos em 1975. Tem dedicado a sua vida, sobretudo, ao ensi­no, como professor de Teolo­gia, leccionando diversas disci­plinas, primeiro no Centro de Estudos da Ordem, no Porto, depois no ISET (Instituto Superior de Estu­dos Teológicos), criado para os alunos de todos os Insti­tu­tos Religiosos do Norte, a seguir, no ICHT (Insti­tuto de Ci­ências Humanas e Teológicas), fun­dado no Porto para Religiosos e dioce­sanos e, finalmente, na Universidade Católica, no Porto (rece­beu a jubilação a 17/06/2004, em sessão solene na UCP-Porto).
Durante alguns anos foi tam­bém director do CER (Centro de Estudos para Religiosas) e, de 1978 a 1981, exerceu, ainda, o cargo de Director dos Estudan­tes de Teologia da Ordem em Portugal. Foi eleito Definidor para o Governo da Provín­cia Portuguesa dos Fran­ciscanos Capuchinhos para os triénios de 1975-1978 (III Capítulo Provin­cial); 1978-1981 (VI Capítulo Provincial); e 1987-1990 (VIII Capítulo Pro­vincial).
Trabalhou em vários Movimentos ecle­siais, como os Cursos de Cristandade, a Catequese, as Equi­pas de Ca­sais e Grupos de Base, entre outros. Tem sido chamado a orientar vários Capítulos Provinciais de Irmãs Religiosas, desta­cando-se igualmente na orienta­ção de Retiros, quer ao clero, quer a congre­ga­ções religiosas. Como teólogo, é bastante solicitado, tendo sido encarre­gado de examinar os escritos da Vene­rável Irmã Rita de Jesus, em ordem ao processo de beatifica­ção (foi beatificada em Viseu, em 2006). Ainda como conferencista, tem sido chamado várias vezes a dar a sua colaboração nas Semanas Bíbli­cas (regio­nais e nacionais). O Fr. Joaquim Monteiro dedicou praticamente toda a sua vida ao estudo e ao ensino da teologia. Por este motivo, a Universidade Católica, em 2004 (17 de Junho), prestou-lhe uma justa homenagem (ver texto no final).



Testemunho do Fr. Joaquim Monteiro
nas suas Bodas de Ouro Sacerdotais (Mira, 15-04-2009)


Para quem ainda não sabe, eu vim para esta forma de vida, vim para padre, porque o Senhor me apareceu! Na ocasião, sei onde é que foi: foi por intercessão de Nossa Senhora do Sameiro. O Senhor apareceu-me e foi-me orientando. De muitas maneiras. E eu, o padre que sou, sou porque Cristo está em mim.
A certa altura da minha vida comecei a descobrir que, afinal, quem me tinha chamado era Ele, e eu comecei a dizer a muita gente que, pela Páscoa, se não acreditassem noutras testemunhas, soubessem que eu sou o padre de Cristo: estou aqui porque Cristo Ressuscitou. E está em mim.
Há coisas na vida do padre que, quando a gente começa a meditar a sério, são extraordinárias. Quando a gente começa, em nome d’Ele, e Ele a fazer por nós, diante do Povo de Deus, a dizer o prodígio “Isto é o Meu Corpo”: é o Senhor a servir-se das nossas mãos, dos nossos lábios… mas é o Senhor!
Quando a gente vai proclamar diante de um pecador arrependido, “eu te absolvo dos teus pecados”, aquele homem ou aquela mulher a regozijar-se… é o Senhor que faz
isso pelos seus padres. E também quando vem alguma tristeza, começamos a pensar no Senhor que age em nós, Ele torna os padres participantes das Suas próprias alegrias. De modo que, a vida do padre, é sempre a vida pascal do Senhor, Ele é a fonte das nossas alegrias.
E aquele que me chamou a mim, chamou também a vocês: eu não posso olhar para vocês e procurar outras explicações senão esta. E, amanhã, saberá chamar outros, não sei lá como, mas tenho essa certeza, essa luz interior que o Senhor gerou em mim: são os padres do Senhor, do Senhor Ressuscitado!
Por isso, direi sempre bem do Senhor que me chamou, e não vou ter medo de nada, porque Ele está em mim, a fazer o que já fez em 50 anos.
E também O descobri nos outros. Encontrei padres muito santos, que a gente olhava e descobria neles a presença do Ressuscitado; e isso dava-nos energia pois, muitas vezes, era o próprio Senhor que nos aparecia através deles.
Termino, agradecendo a vossa oração de acção de graças que vós fazeis ao Senhor dos Padres e ao Senhor que me chama para O seguir.
E eu já agradeci ao Senhor por aqueles que rezaram por mim, porque eu sou fruto da oração daqueles que rezavam pelos Padres ao Senhor.
E o Senhor respondeu dando a mim a felicidade de ser Padre e não estar arrependido. Vocês admiram-se mas, como já disse no Amial, eu também tenho o direito de derramar lágrimas da minha Fé: e não são de tristeza, mas são lágrimas da alegria de quem se sente muito bem com o seu Senhor e com aqueles que o Senhor tem colocado ao redor de mim, no convento e fora do convento e são muitos.
Esperemos estar todos no Céu como agora estamos na Terra! 


«Voz Portucalense» (16.06.2004)

“Liberdade e criatividade franciscana”

«Frei Joaquim Monteiro consagrou a quase totalidade da sua vida ao estudo e ao ensino da teologia. Gerações e gerações de alunos que ajudou a formar, e que carinhosamente o tratam por “Mestre”, testemunham a sua liberdade e criatividade no ensino e no tratamento dos assuntos.
Ao completar setenta anos, Frei Joaquim merece a jubilação pelo seu labor incansável de formar na liberdade e para a liberdade. Nisso, assimilou profundamente o espírito de Francisco de Assis, espírito que transparece em toda a sua vida. O melhor que se pode dizer de alguém que ensina teologia é que é um crente. Tal se pode dizer de Frei Joaquim. E por isso, todas as escolas de teologia que houve no Porto e a que esteve ligado lhe estão gratas por várias dezenas de anos de labor.
O trabalho de Frei Joaquim reflecte o seu franciscanismo noutros aspectos, como sejam o esforço de olhar incessantemente para as fontes bíblicas da fé, à procura de Jesus, na simplicidade da sua pessoa e do seu programa, para lá de séculos e séculos de uma tradição, discutível em muitos aspectos. Com essa frescura originária da fé, procurou Frei Joaquim confrontar os seus alunos. Muitos deles agradecem-lhe essa ligação entre teologia e espiritualidade e penitenciam-se de não ter sido capazes de compreender e viver o programa de liberdade, mesmo quanto à forma de prestação de contas de avaliação (exames), que promovia de forma tão responsabilizante.
A integração de Frei Joaquim no corpo de professores na Faculdade de Teologia e nas escolas que a precederam, no Porto, mostra uma opção pela pluralidade de proveniências de docentes e estudantes, que é uma grande riqueza destas escolas. Isso enriquece muito uns outros.
Na hora de ver jubilar-se Frei Joaquim, é justa a gratidão pelo património que nos deixa, e é devida a expectativa de ver continuada a tradição de um contributo de franciscanismo na Faculdade de Teologia.»
JORGE TEIXEIRA DA CUNHA





terça-feira, 28 de abril de 2015

Reprovei no exame da caridade!!


Neste tempo de tantas incertezas, de tantas interrogações, de tantas crises... fiquei extremamente envergonhado com os acontecimentos no Mar Mediterrâneo. A crueldade de uns e a indiferença hipócrita de outros, mostra a faceta pior da condição humana... uma faceta que culmina com o sofrimento verdadeiramente injustificável de pessoas...

...porque naquelas embarcações vão pessoas!

Parece que nos esquecemos, mas é verdade!

Li no Expresso "on-line” li o relato de um imigrante e esta frase ficou cravada no meu peito:



“Nós não vamos à procura de uma vida melhor.
VAMOS À PROCURA DE VIDA.
 Atrás de nós só há morte.”
(Ammed Abdalla)





Perante isto gostaria de referir o seguinte:

muitas vezes vivemos num universo religioso ocioso, centrado em aspetos menores, mergulhados 
numa fé moribunda, remetida e às suas "certezas", mas que de ação pouco ou nada tem. Como corretamente refere Tomás Halik “a fé madura é sempre uma fé madura pelo sofrimento do mundo”.

O valor da existência não tem “preço”, todos os estados deverão ter como pilar fundamental a legitimação deste pressuposto. A luta pela dignidade da vida, em todas as suas dimensões, não pode ter limites de esforço.
O próprio Jesus relativizou a lei, o sistema político e económico perante a importância da existência (cf. Mt 12,1-10; Mt 12,34, etc...). A Salvação não é um conceito meramente abstrato ou mesmo utópico, a Salvação assenta sempre na promoção da Pessoa, para o Senhor a grande dádiva da lei é e sempre será a misericórdia da Salvação.
Com isto não estou (jamais) a negar a lei enquanto dom precioso de Deus; abolir a tradição religiosa e legalista, para além de presunçoso é um erro perigoso, pondo mesmo em causa a própria identidade cultural dos povos.

No entanto a questão é: que lei?

Os mandamentos foram feitos para o homem e não o oposto...
O serviço à humanidade está assim no cumprimento da própria lei, daí que sacrificar vidas não é nunca justificado por qualquer lei divina, mas sim partem do impulso humano, que deturpa o conceito de Deus–Vivo e por ser vivo é motor da vida e promotor da existência digna no mundo, no aqui e no agora.

Todas as regras e instituições, todos os mandamentos e leis, todos os regulamentos e estatutos, todos os dogmas  decretos, são feitos para servir o homem, porque a grande exaltação de Deus é o homem vivo.
A causa da revelação, culminada na beleza suprema da encarnação do “logos”, não é a lei mas sim o homem. Deste modo, o caminho do homem ao tentar valer-se do seu "ego", torna-se no absurdo da própria existência, já que a sua incontestável importância tem na vontade misericordiosa de Deus a sua fonte eterna. Uma vontade promovida no Amor Maior concretizado na pessoa do próprio Jesus. Deste modo, da mesma fora que a vontade de Deus não pode ser substituída pelo egoísmo humano, a sua compreensão só ganha sentido perante as situações concretas da vida de cada um.

 
Muitos vezes estas imagens e acontecimentos fazem-nos perguntar: porquê?!

Ao ver as imagens do desespero daqueles imigrantes procurando desesperadamente um lugar para que possam “ter vida”, não posso deixar de me questionar também.



Onde andam os valores humanitários da Europa?

Onde andam as raízes cristãs europeias?


Muito de nós vivemos em cristianismo de luxo, sem que olharmos sequer para o nosso vizinho que muitas vezes sofre no silêncio da multidão. Mais do que procurarmos as razões (fator sem dúvida importante), busquemos com urgência respostas, uma resposta que se inicie na nossa rua, no nosso bairro e na nossa cidade.








domingo, 19 de abril de 2015

Fernando Pessoa "Livro do Desassossego"

Desassossego...


"É nestas horas de um abismo da alma que o mais pequeno pormenor me oprime como uma carta de adeus. Sinto-me constantemente numa véspera de despertar, sofro-me o invólucro de mim mesmo, num abafamento de convulsões. De bom grado gritaria se a minha voz chegasse a qualquer parte."

in Livro do Desassossego (Fernando Pessoa)


"Choro sobre as minhas páginas imperfeitas, mas os vindouros, se as lerem, sentirão mais com o meu choro do que sentiriam com a perfeição, se eu a conseguisse, que me privaria de chorar e portanto até de escrever. O perfeito não se manifesta. O santo chora, e é humano. Deus está calado. Por isso podemos amar o santo, mas não podemos amar a Deus."

in Livro do Desassossego (Fernando Pessoa)




sexta-feira, 13 de março de 2015

Notícias - Vaticano: Papa convoca Jubileu dedicado à Misericórdia (Agência Ecclésia)

Francisco voltou a confessar-se na Basílica de São Pedro, durante celebração penitencial

Cidade do Vaticano, 13 mar 2015 (Ecclesia) –

O Papa Francisco anunciou hoje no Vaticano que decidiu proclamar um “jubileu extraordinário”, com início a 8 de dezembro deste ano, centrado na “misericórdia de Deus”.

“Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: ‘Sede misericordiosos como o Pai’ e isto especialmente para os confessores”, disse, na homilia da celebração penitencial a que presidiu na Basílica de São Pedro, na abertura da iniciativa ’24 horas para o Senhor’.

Francisco explicou que a iniciativa nasceu da sua intenção de tornar “mais evidente” a missão da Igreja de ser “testemunha da misericórdia”.
O Papa defendeu que “ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus” e que a Igreja “é a casa que acolhe todos e não recusa ninguém”.

“As suas portas estão escancaradas para que todos os que são tocados pela graça possam encontrar a certeza do perdão. Quanto maior é o pecado, maior deve ser o amor que a Igreja manifesta aos que se convertem”, realçou.

À imagem do que fez em 2014, durante o ‘rito pela reconciliação dos mais penitentes’, com absolvição individual, o Papa começou por se confessar, antes de dirigir-se a outro confessionário para ouvir algumas pessoas.

O 29.º jubileu na história da Igreja Católica, um Ano Santo extraordinário, vai começar na solenidade da Imaculada Conceição e terminar a 20 de novembro de 2016, domingo de Jesus Cristo Rei do Universo, “rosto vivo da misericórdia do Pai”, explicou o Papa.

“É um caminho que começa com uma conversão espiritual e temos de seguir por este caminho”, prosseguiu.
A organização dos vários momentos do jubileu vai estar a cargo do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização e quer ser, segundo Francisco, uma “nova etapa do caminho da Igreja na sua missão de levar a cada pessoa o Evangelho da misericórdia”.
Este é o primeiro jubileu desde o que foi convocado pelo João Paulo II no ano 2000, para assinalar o início do terceiro milénio.
Francisco destacou na sua homilia a importância de viver a misericórdia de Deus, através do sacramento da Reconciliação, como “sinal da bondade do Senhor” e do “abraço” de Jesus.
“Ser tocados com ternura pela sua mão e plasmados pela sua graça permite que nos aproximemos do sacerdote sem medo por causa das nossas culpas, mas com a certeza de ser acolhidos por ele em nome de Deus”, assinalou.
O Papa sublinhou que o julgamento de Deus é o da “misericórdia”, numa atitude de amor que “vai para lá da justiça”, e desafiou os fiéis a não ficar pela “superfície das coisas”, sobretudo quando está em causa uma pessoa.
“Somos chamados a ver mais além, a concentrar-se no coração para ver de quanta generosidade é capaz cada um”, apelou.
No dia em que decorre o 2.º aniversário da sua eleição pontifícia, Francisco deixou votos de que o próximo jubileu ajude a Igreja a “redescobrir e tornar fecunda a misericórdia de Deus” junto dos homens e mulheres dos dias de hoje.

Fonte: Agencia Ecclésia

A quem iremos nós Senhor?” (Jo. 3,68)

Esta sensação de finitude é para todos motivo de inquietação, somos pois chamados a enfrentar novas realidades políticas, económicas, sociais e ecológicas. Não podemos jamais ficar presos nos “obstáculos”, assentando as soluções em bases imediatistas (“soluções possíveis”), mas sim na busca de respostas consistentes para a harmonia da civilização. O mundo ocidental, tão orgulhoso de si, está num sobressalto constante, ultrapassar dificuldades não pode jamais fazer da acção humana fator de injustiça, mas sim fazer que todos sejam sujeitos ativos, fazendo da existência fator verdadeiramente aglutinador do ideal fundamental da vocação humana: a vida.

A vida não pode só ser posta na primeira pessoa, a vida tem que ser vivida com os outros, é aí que os problemas terão a sua solução.

Viver é conviver…

A vida fechada em si mesma faz dos problemas barreiras enormes, tornando-a “sufocante” e mesmo “insuportável”. É através do processo de relação que a esperança se faz realidade, notemos que quando uma pessoa desiste de viver é (muitas vezes) quando a sociedade desiste de viver com ela, a dignidade do ser humano (em todas as suas realidades concretas) deverá ser sempre encarada como aspecto fundamental. A desistência não passa somente pela dimensão pessoal, passa também para a dimensão comunitária.

O homem autónomo está a tornar-se num homem autista.

Deus como qualquer pai quer que o seu filho se faça autónomo, que busque o seu caminho. No entanto esta autonomia está a tirar-nos a noção filial perante Deus, a liberdade está a ser colocada como fuga da nossa própria condição, tal como nos mostra o Evangelista S. Lucas em relação à parábola do filho pródigo (cf. Lc 15,11-32). Também nós estamos muitas vezes numa posição de filhos em busca de uma suposta liberdade, no entanto o que encontramos é a prisão e o desespero. Em Deus encontramos a nossa morada e o nosso consolo, ao querer libertar-nos Dele, caímos no labirinto do mundano, em que a vida se torna superficial, em que nos deixamos corromper pelo orgulho e a vaidade, em que tudo é feito na busca de um retorno, imperando fatalmente a satisfação pessoal e egoísta.

Perdemos a capacidade de escutarmo-nos, cada um tenta colocar a sua posição como “verdade universal”, deixamos de utilizar o silêncio e a solidão, enquanto fator para o encontro com Deus. Estamos a fazer da nossa solidão não a “fonte ” para uma abertura espiritual, mas sim de “terra seca”, tornando-nos “secos” por dentro, não existindo qualquer solução “cosmética” que mascare esta triste realidade. Só em Deus e perante Deus, a nossa vida é relativizada perante os horizontes que Ele nos dá, colocando-nos na direção correta (“oriens”), nesse caminho que Ele também faz na nossa direcção e que nem nos apercebemos. Deus não olha para os homens na aparência, mas sim no coração (cf. 1 Sm 17,7). Infelizmente na condição em temos vivido na atualidade, também Deus aparece como peça descartável, em que só o buscamos quando nos é útil, vivemos uma vida na mais pura ausência de Deus (1). Mais do que um abandono de Deus, o homem em muitas circunstâncias tem-se abandonado de si mesmo.


Da mesma forma que Deus nos procura (cf. Gn. 3,9), nós ficamos muitas vezes retidos na procura, perdidos no meio de um oceano de incertezas, em que não sabemos para onde vamos.

“A quem iremos nós Senhor?” (Jo. 3,68), uma questão colocada por Pedro apresenta-se completamente atual, entramos numa espiral de incertezas, de medos e inseguranças perante futuro. Temos que ser capazes de nos desprender das correntes que nos prendem, olhemos na direção do Deus Vivo, não nos percamos em exercícios de justificação do maligno, quando nem nos abrimos para a beleza inserida na manifestação de Deus como homem, que se abriu à convivência e abitou no meio de nós. Muitas vezes procuramos saber mais de Santos do que do próprio Jesus, quando os mesmos passaram a vida a procurar o Senhor. Não inventemos “cristos” que contradizem a pessoa de Jesus de Nazaré, na realidade concebermos cristo segundo a nossa vontade não é exercício difícil, agora entender Cristo na pessoa concreta de Jesus é que se torna um exercício mais exigente. No entanto foi naquele homem concreto, que conviveu, que chorou, que voltou atrás com a sua palavra, que teve medo... que Deus encarnou e viveu no meio de nós, sendo um com os outros e para ou outros, e não um e os outros.

quinta-feira, 12 de março de 2015

A 13 de Março de 2013, a chaminé da capela Sistina, em Roma, anunciava a decisão do conclave de cardeais com fumo branco: o novo papa estava escolhido. Dois anos depois, Francisco Bergoglio é hoje um dos papas mais consensuais da história recente, capaz de mobilizar fiéis em todo o mundo e de abordar questões tradicionalmente sensíveis para a igreja católica. Acima de tudo, é um Papa popular: tem 19 milhões de seguidores no Twitter. 
A contracepção, o divórcio e o conceito de família moderna, assim como a homossexualidade, são alguns dos temas que marcaram os seus primeiros dois anos no Vaticano. Embora o seu discurso não se afaste muito da linha defendida pela Igreja Católica - é contra o aborto, contraceptivo e o casamento entre pessoas do mesmo sexo -, Francisco defendeu que os "homossexuais não devem ser marginalizados, mas integrados na sociedade". 
Nascido a 17 de Dezembro de 1936, em Buenos Aires, Argentina, Jorge Mario Bergoglio é o 266º Papa da Igreja Católica e o primeiro não europeu em mais de 1200 anos. Homem de hábitos simples, utiliza regularmente os transportes públicos e raramente janta em restaurantes.  Em Agosto de 2014 algumas notícias davam conta de que teria a intenção de reununciar ao pontificado dentro de dois a três anos, tal como fez o seu antecessor, Bento XVI.
"Eu sei que isto não vai durar muito, dois ou três anos e depois vou para a casa do Senhor", disse numa entrevista durante um voo entre a Coreia do Sul e Roma, segundo a Radio Vaticana.
A SÁBADO faz um balanço destes dois anos com 15 citações, das mais sérias às mais caricatas.
"Parece que os cardeais foram procurar o novo pontífice no fim do mundo"
"Como eu gostaria de uma Igreja pobre, para os pobres"
"O [sem-abrigo] que morre não é notícia, mas se as bolsas caem 10 pontos é uma tragédia. Assim, as pessoas são descartadas. Nós, as pessoas, somos descartadas, como se fôssemos desperdício"

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

HIC ET NUNC


HIC ET NUNC
O ASSOMBROSO UNIVERSO DO DESFRUTE INDIVIDUAL

O progresso técnico-científico traz consigo meios, que sem dúvida são positivos, podendo potenciar uma saudável convivência entre os povos. No entanto a realidade mostra um mundo envolvido em conflitos, mais ou menos complexos, mas que sempre levam ao afastamento entre uns e outros. Vivemos uma época de disfrute individual, em que todos se centram sobre si mesmos em que tudo é imediato, retirando uma perspectiva futura de existência em que se valoriza o essencial e refute o acessório. O secularismo individualista pela obtenção do êxito impede, muitas vezes, a criação de um pensamento que privilegie um mundo enquanto lugar de promoção da convivência da partilha, em vez de uma aposta constante na concorrência, nem sempre limpa e correta. Ser competitivo não retira a capacidade de cooperação, antes pelo contrário, a concorrência “limpa” deverá apostar num sucesso fomentador de desenvolvimento coletivo. Claro que o reconhecimento individual é importante, já que valoriza o esforço e a aplicação, refutando a preguiça e a distração, no entanto esta valorização não pode ser o fim mas o meio para um progresso para o bem-estar coletivo.
A sociedade tem cada vez mais se desprendido da sociologia e da filosofia, estamos perante um ser humano confrontado com uma cadeia de valores frágeis, que se alteram conforme tendências, uma “new age” que cria um mundo somente para si mesmo, composto pelo egoísmo materialista, originando que conceitos como fraternidade e partilha sejam apenas debatidos como algo alheio a cada um.

Este facto tem levado ao pouco interesse pelo religioso, tudo se coloca na agenda do hoje, acentuada pelo culto de do eu individualista.
O próprio disfrute individual, tem também reflexos no próprio “universo” religioso, em cada um constrói o seu Cristo, mas poucos seguem Jesus de Nazaré.
Deus em si mesmo não tem religião, as religiões têm sempre um carater de identificação cultural para o encontro com o divino.
Ter fé não é : “pensar que...”, “desejar que...”, ou mesmo “sonhar que...”. As respostas sobre as razões da fé não estão nas evidências daquilo que é acreditado, que não deixando de serem razões, têm no entanto a sua origem a partir da autoridade Daquele que nos propõe a acreditar. A fé cristã tem as suas bases numa pessoa, na pessoa de Jesus de Nazaré.

“Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo.”
(Deus Caritas est, 1)

A partir desta fé inicial, todos podemos ser tocados por Deus, um tocar envolto no eterno beijo divino, assim e neste acolhimento do amor de Deus (“tocar divino”) somos chamados a uma entrega consciente e livre em colocarmo-nos nas “mãos de Deus”. Ao colocarmos verdadeiramente Deus como motor da nossa existência, recusamos naturalmente viver sem esta presença divina na nossa vida. Jamais podemos desprender a fé da própria revelação de Deus, um Deus que não obriga a acreditar, mas que Se dá à criatura amada, entrando “dialogo”, elevando deste modo a própria pessoa humana, que mesmo sem o merecer, apresenta-se como interlocutor divino, podendo agir no mundo como presença visível de um Deus invisível.  


Durante a nossa existência passamos por tentações, para as quais não temos, muitas vezes, a força e a determinação para as recusar. As tentações no deserto (cf. Mt 4,1-11; Mc 1-12-13; Lc 4-1-13), são também as nossas tentações perante um mundo envolvido no puro hedonismo e num materialismo a de proporções gigantescas. A forma de “lutarmos” contra as tentações não pode ser remetida para o mero discurso retórico e muitas vezes utópico. Como crentes devemos ser os primeiros a refletir na Palavra perante as incidências da vida, e não em remetê-la apenas para os locais de culto. A forma de combater as tentações tem de fazer parte da postura quotidiana, em que a resposta tem que surgir a partir da própria postura inequívoca de Jesus.



Ao analisarmos as três tentações de Jesus no deserto, notamos que estas não são apenas inscritas originariamente no Evangelho, assim já literatura prototestamentária estes aspetos são abordados, existindo grandes paralelismos nas palavras de Jesus e nos textos mais antigos.
No jejum de Jesus vemos a inspiração em Dt 8,2-3 sendo que os próprios quarenta dias são perfeitamente visíveis em Ex 34,28 e Dt 9,9.

“Recorda-te de todo esse caminho que o Senhor, teu Deus, te fez percorrer durante quarenta anos pelo deserto, a fim de te humilhar, para te experimentar, para conhecer o teu coração e ver se guardarias ou não os seus mandamentos. Ele te humilhou e fez passar fome; depois, alimentou-se com esse maná, que nem tu nem teus pais conhecíeis, para te ensinar que nem só de pão vive o homem; que tudo o que sai da boca do Senhor é que o homem viverá”
(Dt 8,2-3)

“Moisés permaneceu junto do Senhor quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água. E escreveu nas tábuas as palavras da aliança, os dez mandamentos.”
(Ex 34,28)

““Quando subi à montanha para receber as tábuas da aliança que o Senhor fez convosco, permaneci na montanha na montanha quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água”
(Dt 9,9)

A ostentação é refletida em Sl 91,11-12, sendo que o próprio Jesus cita Dt 6,16

“É que Ele deu ordens aos seus anjos,
para que te guardem em todos os teus caminhos.
Eles hão-de elevar-te na palma das mãos,
para que não tropeces em nenhuma pedra.”
(Sl 91,11-12)

“Não tenteis o Senhor vosso Deus, como tentaste em Massá”
(Dt 6,16)

Na idolatria os paralelismos aparecem em Dt 34,1-4, e a resposta de Jesus é refletida em Dt 6,13

“Moisés subiu das planícies de Moab ao monte Nebo, ao cimo do Pisga, que está em frente de Jericó. O Senhor mostrou-lhe toda a terra, desde Guilead até Dan, todo o Neftali, o território de Enfraim e de Manassés, todo o território de Judá até ao mar ocidental, o Négueb, o Quicar, no vale de Jericó, cidade das Palmeiras até Soar”
(Dt 34,1-4) … com a diferença de quem mostra, de quem quer ser quem…

“Ao Senhor, teu Deus, adorarás, a Ele servirás, e pelo seu nome jurarás”
(Dt 6,13)

Este deserto de profundo recolhimento (cf. Os 2,16-20) tem que ser para nós, principalmente nesta época quaresmal, como um momento de reflexão, de um olhar sobre a vida e sobre o mundo, para que a partir de uma fé sólida e realista possamos trilhar um caminho para uma vida renovada.

Os três anos de vida pública de Jesus foram marcados por uma intensidade dramática ao nível divino e humano. Assim, a nossa resposta, enquanto Igreja viva, deve ter em Cristo a inspiração para uma atitude participativa na sociedade e no mundo, valorizando a Pessoa em toda a sua dimensão. Esta atitude deve ser entendida como missão, uma missão em desprendimento total dos nossos propósitos egoístas, que não busque o reconhecimento, mas que se concretize no serviço. Também nós necessitamos cada vez mais da busca pelo silêncio do recolhimento, de momentos de profunda reflexão acerca do nosso propósito de existência, e não de um constante interesse pelo disfrute individualista de sensações, mais ou menos passageiras, mas que em nada alimentam a consciência do essencial; andamos muitas vezes perdidos (se bem que não o admitamos) no barulho da distração.
Cristo fez-se interiormente e exteriormente igual a nós (cf. Heb 2,17), tendo mesmo se compadecido com as nossas fraquezas e faltas, porque em tudo foi igual a nós exceto no pecado (cf. Heb 4,15).

Na vida concreta cristã, a Doutrina Social da Igreja atravessa uma fase um pouco desanimadora. Andamos alheados da natureza da moral cristã, da sua forma como nos convoca para sermos fermento da sociedade, enveredando por um via de dignificação permanente da criatura amada.



PARTINDO DA CORAGEM PERANTE A FRAGILIDADE,
PARA A GRAÇA DA EXISTÊNCIA COMO DÁDIVA
Atravessamos, como alguns referem, “a passagem da cultura dogmática para a cultura da incerteza”, esta realidade leva a que, juntamente com um coração aberto, devamos também estar cientes do que somos e do que nos torna cristãos, excluindo sempre presunções de que somos os detentores de toda a verdade, mas que através dela sejamos capazes, isso sim, de acolher o outro como imagem do Outro, Esse Outro que ao fazer-Se homem assume na vida terrena a manifestação divina de Deus. Jesus ao cumprir a vontade, incorpora a própria verdade encarnada Nele, sem nunca deixar de ser homem. Na Sua palavra reflete-se a beleza Daquele que É (cf. Ex3,14), Dele vem o sopro inspirador para a Igreja, que se refletirá numa formação de uma “nova” ética moral, em que Jesus Cristo, não fique remetido para o universo religioso, mas que faça realmente parte da vida.

Nestes dias em que a informação “viaja” facilmente no mundo, temos de ter a capacidade de fomentarmos o desejo pelo encontro de Deus na vida de cada um, porque a vida sendo dádiva, é em si mesma aberta à presença de Deus, que a eleva e a aperfeiçoa – “elevat et perficit” -.
A tendência para se expulsar a ética cristã da construção social, tem oferecido uma contrapartida cruel e sem esperança, assim, e ao contrário do que se possa pensar, aqui pode estar a chave para uma renovada dinamização da própria fé, uma fé que se deixe tocar pelo amor divino para a construção de uma existência mais humanizante. A fé particular (em que muitas vezes construímos, erradamente, um deus somente nosso) pode ser o início para abrir o interesse pelo Evangelho.

O vinculo do amor não deriva de soluções técnicas, mas sim da profunda graça de Deus, que sendo Amor se dá em Amor e em Amor se manifesta a todos. Assim a própria solução técnica, bem como as ações concretas da doutrina devem ter no amor dedicado a sua força, porque a graça do Amor de Deus nunca destrói a natureza – “gratia non destruit naturam” -.
Na humanidade de Cristo ficamos perfeitamente conscientes do “não fazer” e do “não cumprir” a Sua vontade. É impressionante como se nega todos os dias a Cristo, mentimo-nos a nós mesmos, fazendo crer que estamos a seguir o Seu caminho... mas se pararmos, notamos a verdade que queima o coração.

“Jesus tomou, pois, a palavra e começou a dizer-lhes:
“Em verdade, em verdade vos digo: o Filho, por si mesmo, não pode fazer nada, senão o que vir fazer ao Pai, pois aquilo que este faz também o faz igualmente o Filho””
(Jo 5,19)

““A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém está disposto a fazer a vontade dele, é capaz de ajuizar se a doutrina procede de Deus, ou se Eu falo por minha conta.””
(Jo 7,16-17)

““Realmente não eram capazes de crer, por isso Isaías também dissera:
Cegou-lhes os olhos
e endureceu-lhes o coração,
para não verem com os olhos
e não entenderam com o coração
e não se converterem
e Eu ter de os curar.””
(Jo 12,39-40)

““Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras tem quem o julgue: a palavra que Eu anunciei, essa é que o há-de julgar no último dia; porqu Eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, é que me encarregou do que devo dizer e anunciar.”
(Jo 12,48-49)

““Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai, e o que pedirdes em meu nome Eu o farei, de modo que, no Filho, se manifeste a glória do Pai. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu o farei.””
(Jo 14,12-14)

“Pai, quero que onde Eu estiver estejam também comigo aqueles que Tu confiaste, para que contemplem a minha glória, a glória que me deste, por me teres amado antes da criação do mundo”
(Jo 17,24)



A Trindade eterna leva a todos à ternura do amor desprendido e alerta, porque cada vez mais, numa sociedade envolta por egoísmos (do cada um por si), o grito do sofrimento e da humilhação se escuta no mais profundo silêncio da vergonha, um silêncio que retira a esperança, levando a que muitos optem por pôr fim à vida... daí que a Doutrina Social da Igreja tem hoje que ser colocada em prática por todos e para todos.

Assim não busquemos sempre as lamentações e os problemas, olhemos para o mundo realisticamente, mas sempre envolvidos pela esperança e a alegria de termos um Deus que nos acompanha e nos ampara. Não vivamos imaginando um paraíso ausente, nem paralisados pelos pecados cometidos, tenhamos a consciência de olharmos para a realidade como é, fazendo do nosso tempo, um tempo em que Deus se manifeste no mundo. A humanidade de Cristo está acima dos Estados e das mudanças sociais, Ele é a prova suprema do Amor de Deus pelo mundo, sendo que a generalidade do tempo humano é um fenómeno de analogia intima que esclarece, na sua totalidade, o tempo de Cristo no qual tudo culmina.