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domingo, 15 de dezembro de 2013

Reportagem: New York Times - Nelson Mandela

 

The Life of Nelson Mandela, 1918-2013

 

 

Veja aqui

 

 

 

Opinião: Jornal Público - Frei Bento Domingues (15/12/2013)

O advento da terceira Igreja

1. Nasci numa época em que muito do clero português cultivava mais o medo do pecado do que o amor da virtude. A sua pregação – sobretudo a dos padres da vinagreira – estava centrada na ameaça do inferno e a confissão oscilava entre um precário alívio, a tortura e o escrúpulo.
As insólitas atitudes do Papa Francisco, a forma e o fundo da sua Exortação Apostólica recusam fazer da fé cristã uma tristeza. Estão a irritar não só a alta finança, mas também os movimentos que tentam recuperar esse tipo de práticas religiosas – contra o Vaticano II –, com o auxílio de eclesiásticos vestidos e calçados a preceito.
Estamos no Domingo da Alegria, como se todos os Domingos não fossem para celebrar a Páscoa, a vitória sobre a morte. Não foi por acaso que o Papa sentiu necessidade de recordar o que esquecemos e está escrito para sempre, em S. João: isto vos escrevemos para que a vossa alegria seja completa 1) – Evangelii Gaudium.
Estamos a precisar de uma Igreja que seja uma alegria para o mundo actual. O padre Bill Grimm sustenta que está a chegar a 3ª Igreja 2). Para ele, a primeira foi o movimento das discípulas e discípulos de Jesus Cristo, das gerações que se seguiram e das incursões missionárias, fora do universo judaico. Estava centrada, essencialmente, no Mediterrâneo. Foi ela que nos legou o Novo Testamento, os elementos fundamentais do culto cristão e os primeiros exemplos de diálogo com as religiões, as culturas e as filosofias desse mundo. A segunda centrou-se na Europa. Foi a Igreja da cristandade, pouco ou nada tolerante para o que lhe era exterior. O outro era o inimigo ou o objecto de proselitismo. Aí vivemos, mas estamos a caminho de uma 3ª Igreja, sem centro geográfico e sem fronteiras de raças, nações e culturas, mundial.


2. As estatísticas estão a contar a história. Em 1910, 80% dos cristãos do mundo viviam na Europa e na América do Norte. Hoje, um século mais tarde, a maioria vive na África, na Ásia e na América Latina. Em apenas cinco anos, entre 2004 e 2009, o número de católicos na Ásia aumentou 11%.
Os cristãos ocidentais quase não se aperceberam de como o seu cristianismo foi moldado por tradições religiosas e culturas anteriores à pregação do Evangelho na Europa. Hoje, são as Igrejas de África, Ásia, América Latina e Pacífico que estão a ser moldadas por religiões e culturas que os mensageiros do Evangelho aí encontraram. Isso significa que as ideias de Deus, de adoração, de santidade, de ministério e comunidade – de tudo o que faz a Igreja – estão, de forma gradual, a tornar-se diferentes do que tem sido “normal” durante mais de um milénio e meio.
O Advento da 3ª Igreja processa-se, no meio de crenças ou descrenças variadas, com pouco ou sem poder político, social e cultural. Este movimento está a levar a novos estilos de liturgia, de teologia, de comunidade, de evangelização.
Como os cristãos da 3ª Igreja, em especial na Ásia, são muitas vezes uma minoria impotente e perseguida, tendem a ver o papel da Igreja e as suas formas institucionais a partir de uma perspectiva diferente do Ocidente, onde a Igreja só há pouco começou a perder o poder político, moral e intelectual.


3. Perante este fenómeno, são diversas as reacções das pessoas nas Igrejas do Ocidente. Umas alegram-se por ver o Espírito Santo trabalhar em novas formas, em novos lugares. Outras, com medo do desconhecido, recusam-se a aceitar novas experiências, como se o Ocidente fosse feito só de bons exemplos a imitar. Grande parte da história católica, desde o Vaticano II, pode ser interpretada como uma série de tentativas para perpetuar o que B. Grimm chamou a 2ª Igreja e evitar as mudanças que se anunciam com o Advento de uma nova Igreja. Goste-se ou não, está a nascer outra realidade. Vai levar tempo, mas por fim o cristianismo será diferente em todo o mundo.
A tentação conservadora consiste em tornar definitivo o provisório: foi sempre assim e assim há-de continuar. Como seria bom mudar se tudo ficasse na mesma.
No entanto, os começos do cristianismo anunciavam uma subversão sem limites culturais, religiosos, geográficos, sociais e históricos. Paulo fez a declaração fundadora: Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus (Ga.3, 28). Isto está atrasado. Houve muitos ziguezagues. Temos a alegria de que a Igreja, na qual o Papa Francisco está a trabalhar, tem futuro, se não o deixarmos sozinho.



1) Jo 15, 11; 16, 22-24; 1Jo 1, 1-4; 2Jo 12
2) Cf. Rev. Além-Mar 12.2013, pg 11 

(Fonte: Jornal Público) 

Jornal Público
 

 

sábado, 14 de dezembro de 2013

~Soltas... sofrimento ....~



Quando o assunto é o sofrimento é necessário ter muito cuidado e acima de tudo muita humildade e sensatez. O sofrimento é mau, disso não pode jamais existir qualquer dúvida. O mal, nas suas diversas expressões, é desconcertante em toda a sua profundidade, chegando mesmo, em muitos casos, a escapar ao entendimento racional.
A maneira como hoje vivo a vida, como as coisas se vão maturando na consciência, a forma como vivo a fé, leva-me cada vez mais a compadecer com os outros, a olhar para a fé com a dor de todos os mal do mundo, e que muitas vezes são cometidos em nome do “mesmo” Deus em que acredito, no Deus que Jesus nos mostrou.

“Deus permitiu inconsistências na Bíblia, para nos mostrar que não nos devemos empenhar numa leitura literal da Escritura, mas que devemos procurar o seu significado mais profundo”.
 Esta frase interessantíssima de Orígenes foi feita no séc. III, no entanto continua atual. Como se pode constatar este problema da literalidade na abordagem à Escritura não algo de novo tendo mesmo levado a que a teodiceia ganhasse forma. Esta disciplina aborda como reconciliar a existência do mal e do sofrimento no mundo com a fé num Deus bondoso e omnipotente. Obviamente que não pode fornecer respostas claras, no entanto o falhanço não está na teodiceia mas no “objeto” que analisa.
Mas surge também uma questão legítima,
será que o ateísmo dá as respostas certas, ou fica na especulação?

Será que não é mais fácil, perante a confrontação do mal e do sofrimento, chegarmos à conclusão que Deus não existe?

Nunca podemos esquecer que a teologia enquanto disciplina, não está confinada ao “dogma” da fé como tal, a teologia “vive da heresia”, necessita dela como opositora indispensável.

Perante o sofrimento, somos capazes das dissertações mais abrasadoras, todos gostamos de dar opiniões, mas antes de tudo em vez de arranjarmos teorias, temos que ter a humildade do silêncio. Eu não sei nada do que é o verdadeiro sofrimento, já contactei pessoas que atravessam pelo deserto da dor (que nem sempre é física), mas a palavra de pouco adianta. Fico completamente revoltado com algumas pregações acerca do sofrimento, que não cabem na cabeça de ninguém...

Imaginemos alguém que perdeu um filho criança com uma doença que a fez sofrer..., o que dizer a essa pessoa, “que deus assim quis, foi a sua vontade?!”, então que deus é este que se diz amor e que “quer” para satisfazer a sua “vontade”, a morte de uma criança. A dor humana, mesmo quando revestida da armadura do ateísmo militante, é algo que os cristãos devem tomar a sério e tratar com respeito, porque é “território sagrado”. Estar com quem sofre não é justificar o sofrimento, ou tentar justificar Deus perante o sofrimento, não é Deus que necessita de justificação, mas sim a quem sofre urge o alívio.

Muitos dos que vivem no sofrimento, querem por todas a vias ter a certeza da inexistência de Deus, porque se Ele existe faz dano. Para quem sofre deus é aquele que faz a vida enfadonha, mais complicada e mais pesada do que já é. Todos fazem a mesma pergunta, porquê eu? Porquê agora? Quando acabará?

Tive um amigo que foi atingido subitamente por um cancro fulminante, desde a descoberta da doença até à morte, esse meu amigo viveu pouco mais de dois meses numa completa decadência física e psicológica. Acreditava em Deus, no entanto não era cristão. Muitas vezes tentou arranjar justificações para o que lhe aconteceu, no entanto e com o passar do tempo, apenas ficou o silêncio. Ele não queria falar em nada apenas queria que eu estivesse ali presente... apenas a presença... já não havia lugar para palavras, discursos, dissertações, apenas a presença...
Daí que não vale a pena frases belas sobre o sofrimento, o importante é estar presente... a dor muda o temperamento, altera os pensamentos e as certezas da vida.

Uma outra forma de viver esta realidade (e atenção nada justifica o mal em si), estão em testemunhos que nos levam a uma dimensão em no interior do sofrimento, e através da fé em Jesus, é possível viver algo enormemente admirável. A tortura do sofrimento pessoal encontra-se com uma intimidade singular com Deus, e esta relação é absorvida pelo movimento, no qual o sofredor reúne a sua dor com a dor de todos, mesmo assim isto não tira jamais a constatação de que o sofrimento é mau. Etty Hillesum é um caso em que perante o horror e o sofrimento do holocausto, foi capaz de ter uma espiritualidade aterradora, de compaixão e amor a Deus.

“São tempos de horror, meu Deus. Esta noite, pela primeira vez, fiquei acordada no escuro, os olhos ardentes, imagens de sofrimento humano desfilando sem parar à minha frente. Oh, meu Deus, vou prometer-te uma coisa, uma ninharia: vou proteger-te hoje, de tantos fardos, das angústias que o futuro me inspira; mas isto requer um certo tempo. Por agora, cada dia vale a pena. Vou ajudar-te, meu Deus, a não desvaneceres em mim, mas não posso garanti-lo à partida. Agora contudo, me aparece mais claro: não és Tu quem pode ajudar-nos, mas somos nós que te podemos ajudar – e, ao faze-lo, ajudamo-nos a nós próprios. É tudo o que o que podemos salvar neste momento e é também a única coisa que conta: um pouco de Ti em nós, meu Deus. Talvez possamos nós contribuir-Te para Te divulgar junto dos corações martirizados dos outros”

Etty Hillesum morreu em Novembro de 1943, em Auschwitz, tinha 29 anos.

Daí que repita, é necessário muita sensatez ao abordar o sofrimento, principalmente fazendo-o ressoar no ambiente da crença. Cuidado tanto as divagações fáceis, em relação ao sofrimento enquanto acontecimento. Assim como critico algum tipo de crença pouco esclarecida, não tenho dúvida em notar em muitos ateus, que implícita ou inconscientemente manifestam raciocínios pseudoteológicos, que mais não passam do que elaborações baseadas em noções de religiões primitivas. Mas isto fica ao critério e ao bom senso de cada um.


Notícias: Radio Vaticano - Papa visita Centro de Saúde para Crianças

Papa visita Centro de Saúde para Crianças, no Vaticano, encontrando famílias e voluntários 

 Há no Vaticano, quase ao lado da Casa de Santa Marta, um Centro de Saúde destinado às crianças – o Dispensário Pediátrico Santa Marta. Uma instituição criada em 1922, confiada pelo Papa Pio XI à responsabilidade das Irmãs de São Vicente de Paulo. Ali são assistidos milhares de crianças carecidas: assistência médica, apoio psicológico e distribuição de bens de primeira necessidade.
Ali se deslocou hoje em visita o Papa Francisco, que se encontrou depois, num segundo momento, na Aula Paulo VI, com as famílias e os voluntários. A saudar o Papa Francisco, nesta visita, para além da Responsável, Irmã Antonieta, foi uma mãe de família, peruana, que concluiu falando em espanhol…

Muy buenos dias, Papa Francisco! Muchissimas gracias por regalarnos esta mañana… Muchas gracias, Santo Padre y feliz Navidad

O Papa esteve com as pessoas, com a simplicidade e o afecto que todos lhe conhecem, concluindo dizendo apenas uma palavra de obrigado por este encontro, pelo amor e pela alegria manifestada com estas crianças… e mesmo pela torta que lhe ofereceram…

Grazie….

Atualmente são 270 as famílias que beneficiam dos serviços deste Centro de Saúde. Só neste ano de 2013 registaram-se 3.500 consultadas médicas, asseguradas pelos 22 médicos que ali prestam serviço como voluntários, e ainda 120 colóquios com novas famílias que se apresentaram. Os beneficiários provêm de todo o mundo (com destaque para a América Latina, Leste Europeu, Médio Oriente e Ásia) e professam diversas religiões. Bento XVI visitou esta Instituição em Dezembro de 2005. 
 (Fonte: Rádio Vaticano) 

Rádio Vaticano
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Notícias: Vaticano News - Livro "A última palavra"

'A última palavra', um livro sobre o pontificado de Bento XVI





No livro, Chirri faz uma interpretação de fatos ocorridos durante o pontificado, seguidamente após as viagens de Bento XVI ao exterior e na Itália, assim como de alguns pronunciamentos mais significativos: do célebre discurso em Regensburg sobre a relação entre fé e razão à incisiva ação levada em frente contra a pedofilia, com uma especial atenção pelas vítimas; da remissão da excomunhão do Bispo lefebvriano Williamson ao caso da fuga de documentos reservados do apartamento do Pontífice; do diálogo interreligioso e do tema da Igreja ‘humilde’, desenvolvido em Verona em 2006 à denúncia do perigo de uma “modernização fundada numa atenuação da fede”, feita na Alemanha em 2011.
Das páginas escritas por Chirri, transparece sobretudo a figura de um “Papa do diálogo” que, por meio de seus escritos, pediu para não curvar-se à superficialidade de pensamento e à mediocridade da vida, e convidou os homens a dar valor a sua vida individual, projetando-a em direção ao uma esfera sobrenatural; e à própria vida coletiva, vivendo-a dignamente na família, nas profissões e nos vários grupos sociais.



“Humilde mas refinadíssimo teólogo, Papa Ratzinger – disse o Cardeal Christoph Schoenborn na apresentação do livro - deixa ao mundo uma obra gigantesca e merecidamente é considerado um gigante da Igreja de Deus”. (JE)


(Fonte: Vaticano News)



Vaticano News


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Nós e a política




A acção de um cristão através da sua disponibilidade em ser testemunha de Cristo, torna-O vivo dentro de cada um. Nunca um cristão poderá estar “sossegado” enquanto as injustiças estiverem presentes no seu quotidiano. Viver em caridade é viver na disponibilidade não só para o outro, mas para o mundo inteiro. Temos pois a obrigação de agir diariamente com justiça e fraternidade, em que a bondade não seja apenas uma palavra (utópica), mas sim acção concreta. Obviamente que este é um desafio difícil, mas ser cristão não se prende a uma noção de facilidade, antes pelo contrário, está sempre inserida a imagem do sacrifício do reencarnado que se mostra a nós e que nos pede para sermos com Ele.

Quando abraçamos a Liturgia da Palavra e a concretizamos em acção concreta, esta pode também levar, em certos casos, a um desvirtuamento da própria essência litúrgica o que é sempre um risco e mesmo um perigo. As injustiças e os fanatismos em nada se enquadram na imagem de Jesus Cristo.
Verificamos na actualidade que “em nome de Deus” se praticam os actos mais magníficos, como também os mais cruéis. É incrível como a palavra de Deus - em pleno séc. XXI - justifica os conflitos mais absurdos e injustos. Em “nome de Deus” se fazem guerras, em “nome de Deus” se cometem crimes, enfim a linha entre o bem e o mal, embora esteja bem visível, está sempre a ser “calcada” e nós cristãos muitas vezes nada fazemos, chegando mesmo a apoiar e a justificar o absurdo da violência.
A citação de Ghandi – “Eu seria cristão, sem dúvida, se os Cristãos o fossem vinte e quatro horas por dia” – é sem dúvida uma verificação de em facto incontornável, o Cristianismo é uma opção, não só de atitude de adoração, mas de postura de vida concretizada na verdade, em que a expressão se reflecte no próximo, porque lá está Cristo:

“Vinde, benditos do meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
Porque tive fome, e deste-me de comer; tive sede, e deste-me de beber; era estrangeiro, e hospedaste-me;
Estava nu, e vestiste-me; adoeci, e visitaste-me; estava na prisão, e foste ver-me”
(cf. Mt. 25, 34-36)


O amor de Cristo está dentro de nós através do Espírito Santo, ao interiorizarmos esta noção poderemos então mudar o rumo da civilização. Tal como necessitamos da presença de Deus para a vida, também Ele necessita da nossa acção para que, através de nós, Ele se realize verdadeiramente entre todos. As manifestações divinas acontecem maioritariamente no nosso interior através da acção do Espírito Santo do que no surgimento de fenómenos sobrenaturais (cf. Lc. 8, 48). Claro que a manifestação de Deus será sempre independente da nossa acção, para Ele os impossíveis não existem, no entanto o grande desafio é pessoal (íntimo) e prende-se com a nossa própria acção na fé. Olhar para Jesus é olhar o caminho, é com Ele que encontraremos a glória eterna, sendo que este caminhar assenta sempre no termo estruturante de tudo: o Amor.
Nunca “em nome de Deus” poderemos justificar a guerra e a violência, a justiça está na demonstração concreta da nossa acção à luz da Palavra. Infelizmente esta coragem começa a escassear já que a realidade que nos é apresentada remete-nos para a crueldade pura do egoísmo, em que o que interessa é que “eu esteja bem”… 

“Para que esta mudança possa ser operada, ela tem que ser realizada, muitas vezes, dentro da esfera política, como tal a praxis política tem todo o sentido dentro da Liturgia”.

A Igreja tem de ser vista pelo mundo como uma entidade que “combate” por uma sociedade mais justa, em que a consciência colectiva – mesmo apesar das suas diferenças culturais e religiosas – tenha aqui local de esperança para uma definitiva solidariedade humana. Como nos mostra o Evangelho, os caminhos estão abertos, Ele não responde somente por si. O Evangelho necessita de ser “alimentado” pela nossa fé, para que se encontre as respostas adequadas às situações que a cada momento nos vão surgindo. Mais do que em sociedade temos que viver em perfeita comunidade, este é o grande “Projecto da Existência”.

O Cristianismo nunca deverá estar associado à busca de poder, ele está na sugestão de valores que estruturem o bem comum. Só com uma fé forte, baseada na verdadeira adoração de Deus, conseguiremos alcançar o Amor Comum. A oração nunca poderá ser o “esvaziamento em algo”, antes pelo contrário, a oração e a contemplação assentam numa relação interpessoal. Embora muitas vezes oremos sozinhos, não oramos em solidão, porque a ela remete-nos para o Senhor, para a sua ressurreição e para o Todo. Daí que esta noção pressupõe, à luz dos “valores actuais” (em que o materialismo ganha um relevo extremo), um esforço e persistência grandes. Aqui surge o sacrifício da opção, em abdicarmos de satisfações instantâneas e egoístas, para a basearmos a nossa vida no serviço. Viver, tendo em linha de conta o bem comum, é tarefa cristã.  



Uma das frases de Cristo que mais assume um carácter de sacrifício está em “amar os nossos inimigos”. Esta é uma concepção difícil para o ser humano; e, reforçado pelo contexto político actual, surge mesmo como inconcebível. Pois é por esta razão que a acção cristã, embora tenha sentido numa actuação dentro do universo político, ela na realidade nunca poderá estar ligada a uma ideologia política pré-concebida. O carácter de liberdade no culto ao verdadeiro Deus exprime a sua origem. A função de um Cristão deverá ser sempre independente, a sua ligação deverá focar no alcance de Deus entre os homens, e no Seu projecto de amor como projecto de civilização, é para lá que devemos tomar o nosso caminho e encontrar a nossa inspiração cívica e mesmo acção de argumentação política.

Não me revejo propriamente em nenhuma ideologia, porque em todas vejo pontos nos quais aos quais apoio, como também em todas vejo pontos em que nada faz sentido perante os meus olhos.

A acção cristã está precisamente na negação do poder, expressando-se sempre em favor da dignidade do homem, em todas as suas vertentes. Muitos dos problemas actuais necessitam de resolução urgente, daí que o cristão através da sua fé, deverá ser pessoa presente, no aqui e no agora – afinal o “oitavo dia” já começou -.

Também a praxis política deverá estar virada para a cruz, para a ideia do crucificado que morreu por nós para nos libertar do pecado. A ideia de um mundo fraterno e justo não é pura utopia – é Verdade. No entanto o fim do caminho ainda está longe, daí que ao desviarmo-nos do caminho estamos a adiar a salvação plena do mundo. O mundo ocidental, com o seu sistema neo-liberal (quase incontrolável), desviou o homem para um plano secundário. Infelizmente notamos que os problemas sociais em vez de terem uma resolução digna, vêm agravando-se, podendo levar a um colapso civilizacional.
É urgente que os ricos e poderosos entendam que os pobres e fracos são iguais nos direitos e deveres, sendo sempre também iguais aos “olhos” de Deus. Sem ajustarmos estas discrepâncias, cada vez mais notórias, o mundo vai-se “asfixiando”.
A necessidade de olharmos para o Senhor é realmente uma necessidade fulcral, porque só Nele e com Ele encontraremos as respostas. Sendo que elas estão inseridas dentro da Palavra do Evangelho, no “logos” encarnado que se fez presença de amor eterno e manifestação divina da verdade entre nós. Com Ele o “Céu desceu à Terra”, mostrando que o sentido da origem da criação de todas as coisas assenta verdadeiramente na Vida e na sua dignificação.








segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Notícias: Jornadas de Teologia


Decorrerá entre os dias 17 a 20 de Fevereiro de 2014 as jornadas de teologia na Universidade Católica Portuguesa.

O tema destas jornadas será "A ressurreição de Jesua e a nossa ressurreição" e contará com nomes como o Prof. Doutor Pierangelo Sequeri, Prof. Doutor Andres Torres Queiruga, Prof. Doutor D. António Couto, entre outros.




“A ressurreição de Jesus e a nossa ressurreição”.
“A ressurreição de Jesus e a nossa ressurreição
“A ressurreição de Jesus e a nossa ressurreição