Translate

segunda-feira, 14 de abril de 2014

ORIGENS DA PÁSCOA


Origem

“Moisés chamou os anciãos de Israel e disse-lhes:
“Escolhei e tomai um animal do rebanho, segundo os vossos clãs, e imolai a Páscoa. Tomareis depois um ramo de hissopo, mergulhá-lo-eis no sangue que estiver na bacia, e marcareis o dintel e as duas ombreiras da porta com o sangue que estiver na bacia, e nenhum de vós sairá da porta da sua casa até pela manhã. O Senhor passará para ferir o Egito, verá o sangue sobre o dintel e sobre as duas ombreiras da porta, e o Senhor passará ao largo da porta e não deixará que o Exterminador entre nas vossas casas para ferir.””
(Ex 12,21-23)



Esta celebração estando ligada ao Êxodo, tem na sua gênese um rito ou festa nómada das comunidades pastoris, anterior a este acontecimento bíblico, sendo que estas práticas eram comuns noutros povos, não se circunscrevendo aos hebreus.
O ritual consistia na imolação de um cordeiro, em que o seu sangue deveria aspergir as entradas das tendas. O objetivo consistia em preservar a vida dos membros dos clãs e dos seus animais de todos os perigos (“Exterminador”), era portanto uma ação eminentemente comunitária voltada para a defesa e não para o ataque ou agressão.


Era uma prática acentuadamente nómada, em que a carne era assada ao fogo, o pão era servido sem qualquer fermente (como ainda hoje acontece com os beduínos), usavam-se as ervas amargas (as ervas do deserto), etc. Todo o rito tinha lugar na primeira lua cheia da primavera, altura em que os pastores partiam com o gado em busca de novas pastagens.




A vida como que se renovava, uma vida que se tinha que confrontar com os perigos, estes eram personificados no “exterminador”,  sendo que ao aspergir as portas com o sangue do cordeiro imolado contribuíram para sua sobrevivência. Este seria o sacrifício em louvor a Deus no deserto que Moisés teria pedido ao faraó.




A Páscoa e o Êxodo

O rito de preservação pastoril vai ser aquele que irá transformar-se para o Povo Eleito como a festa mais importante do seu calendário, simbolizando a saída do Egito, a passagem da prisão para a liberdade, a Páscoa.

Como se deu esta transformação?


Em Ex 11,1-13,6 notamos que a Páscoa aparece vinculada à décima praga, irá assim ser esta a determinante na saída dos israelitas.
No entanto esta noção obriga a uma atenção na leitura do texto; na realidade o que aparece escrito não é uma crónica de acontecimentos, mas uma releitura posterior, numa altura em que a Páscoa tinha adquirido uma importância central no culto de Israel.

Segundo vários exegetas terá existido uma coincidência temporal entre a celebração da Páscoa e o flagelo que terá vitimado os egípcios. Esta coincidência, que possibilitou a saída dos hebreus, foi determinante para a transformação do rito pascal. Assim a interpretação colocou-se centrada na visão de que Javé “passou”, e esta passagem poupo-os do flagelo da morte. Isto aconteceu porque o sangue do cordeiro assinalou as suas casas (cf. Ex 12,24)

O “exterminador” converteu-se no executante da praga (cf. Ex 12,33), as vestes de pastores transformaram-se nas vestes de viajantes prontos a sair (cf. Ex 12,11); o pão sem fermento no símbolo da saída do Egito (cf. Ex 12,34-35)


A Páscoa assume-se como a festa que comemora os acontecimentos que atualiza, conservando-os para as gerações futuras.
A vítima pascal, no seu sangue derramado, assume-se como a possibilidade da saída que comemora, o imolado é aquele que liberta, que salva e que preserva a vida.

A releitura não pode deixar de se ligar ao seu carácter significativo dos acontecimentos. A Páscoa, sendo uma festa da primavera, assinala o início da vida, o caminhar na busca de novos e revigorantes fontes de vida.



O Êxodo foi vivido da mesma forma, aqui se reflete a primavera do Povo de Deus enquanto o Povo Eleito de Deus. Na Páscoa inicia-se o caminhar  para a terra prometida, a terra da felicidade e da liberdade, um percurso assente sempre na promessa e fidelidade a Javé.
Foi neste contexto que se transformou um rito pastoril num rito de nova vida e de renovada esperança.




Páscoa, Peregrinação a Jerusalém


A Páscoa inicialmente celebrava-se ao nível familiar, no entanto, e com a alteração da vida nómada ara vide sedentária, esta situação irá alterar-se. Sendo uma festa eminentemente pastoril, vai perder parte da sua importância, ao contrário e paralelamente a festa dos Ázimos, de características marcantemente agrícolas, vai ganhar destaque, sendo que tanto uma como a outra celebravam os mesmos acontecimentos.




Mas com o passar dos anos, e com as  raízes profundas no povo, a Páscoa assimilar a própria festa dos Ázimos, sendo as duas celebradas na mesma altura - na primavera, no mês de Nizan -, vão agora fundir-se numa só e com o seu nome definitivo: Páscoa. Agora, e com a incorporação dos Ázimos, a festa das festas torna-se numa peregrinação aos santuários centrais das diferentes tribos de Israel.

Claramente que para um povo com raízes nómadas, a falta de centralização da festa da Páscoa, trazia consigo grandes inconvenientes, sendo no entanto o fundamental ligado ao risco da fragmentação e do enfraquecimento da noção de Povo Único. Na grande campanha da unificação purificação do culto na cidade de Jerusalém, dois reis tiveram uma importância decisiva: Ezequias (716-687) e um dos grandes reis de Israel, Josias (640-609). A cidade Santa de Jerusalém torna-se agora o centro da festa da Páscoa para todas as tribos.

“Guarda o mês de Abib e celebra a Páscoa em honra do Senhor, teu Deus, porque foi no mês de Abib que o Senhor, teu Deus, te fez sair do Egito, durante a noite. Imolarás ao Senhor, teu Deus, em sacrifício pascal, gado miúdo e graúdo, no santuário que o Senhor tiver escolhido e ali estabelecer o ser nome. Não comerás pão fermentado com essas vítimas. Durante sete dias, comerás com elas ázimos, o pão da aflição, porque foi à pressa que saíste do Egito, para assim te recordares durante a tua vida do dia da tua partida. Que não veja fermento algum em todo o teu território durante sete dias. Que não fique para o dia seguinte coisa alguma de carne imolada no sacrifício da tarde do primeiro dia.
Não poderás imolar o cordeiro pascal em nenhuma das cidades que o Senhor, teu Deus, te há-de dar, mas somente no santuário que o Senhor, teu Deus, tiver escolhido para ali estabelecer o seu nome. Ali imolarás o sacrifício pascal, ai cair da tarde, depois do pôr-do-sol, à hora em que saíste do Egito. Cozê-lo-ás e comê-lo-ás no lugar que o Senhor ,teu Deus, tiver escolhido. No dia seguinte poderás regressar à tua tenda. Durante seis dias, comerás ázimos e no sétimo dia haverá uma liturgia solene em honra do Senhor, teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum”.
(Dt 16,1-8)

Desta forma a festa da Páscoa será também a grande festa comunitária, manifestando a união entre todas as tribos perante o Deus Único.

“Do tempo dos Juízes e em todo o templo dos Reis de Israel e Judá, nunca se havia celebrado uma Páscoa tão solene como aquela que se celebrava em Jerusalém no ano 18 de Josias.
(2 Rs 23,22-23)


Centralizado no templo, o sacrifício da Páscoa torna-se num sacrifício cultual; o sangue do cordeiro é derramado sobre o altar com a supervisão dos sacerdotes e levitas (cf. 2 Cr 35,11,ss).”

Após o exílio na Babilónia, a Páscoa foi retomada ligando-se fundamentalmente à família, tendo o rito de sangue uma enorme carga de preservação, servindo deste modo para a distinção entre Povo de Deus e os demais povos. A festa será cada vez mais o centro do culto judeu, cuja omissão tinha consequências equiparadas ao que consideramos excomunhão.

“Quem, estando puro e não andar em viagem, deixar de celebrar a Páscoa, será eliminado do meu povo, porque não apresentou a oferta ao Senhor no tempo devido esse homem suportará as consequências do seu pecado.”
(Nm 9,13)

Visto como um novo êxodo (cf. Is 67,7-64,11), o regresso o exílio, que ficara a dever-se ao Servo de Javé, luz das nações (Cf. Is 53,7), vai unir as duas figuras fundamentais: o Servo e o Cordeiro Pascal.

Também aqui se liga a projeção do verdadeiro Messias do futuro, aquele que vem para libertar e salvar.








quinta-feira, 10 de abril de 2014

Notícias: Agência Ecclesia - Risco de narcisismo de teólogos

Vaticano: Papa pede aos teólogos que evitem o risco do narcisismo



Francisco recebeu instituições académicas pontifícias ligadas aos jesuítas


O Papa Francisco pediu hoje no Vaticano que os estudantes e professores de Teologia prestem atenção à sua vida espiritual para que não caiam no “narcisismo”.

“O teólogo que não reza e que não adora a Deus acaba por afundar-se no narcisismo mais repugnante e esta é uma doença eclesiástica. Faz muito mal o narcisismo dos teólogos, dos pensadores”, alertou, numa audiência aos alunos, docentes e outros profissionais da Universidade Pontifícia Gregoriana, do Instituto Pontifício Bíblico e do Instituto Pontifício Oriental.



O discurso centrou-se na relação entre “estudo e vida espiritual”, para criar uma “verdadeira hermenêutica evangélica” que permita perceber melhor a via e o mundo.
“A filosofia e a teologia permitem adquirir as convicções que estruturam e fortificam a inteligência e iluminam a vontade, mas tudo isto apenas é fecundo se for feito com a mente aberta e de joelhos”, aconselhou.



Para o Papa, um teólogo que se “compraz” no seu pensamento completo e fechado é um “medíocre”.
As instituições académicas presentes estão confiadas à Companhia de Jesus (jesuítas), família religiosa do Papa Francisco, o qual pediu “criatividade e imaginação” para enfrentar o futuro e encontrar “caminhos novos, sem medo”.

“Os vossos institutos não são máquinas para produzir teólogos e filósofos, são comunidade nas quais se cresce e o crescimento tem lugar na família”, observou.

Nesse sentido, o Papa afirmou que a família universitária é indispensável para criar “uma atitude de humanidade e sabedoria concretas” que fará dos estudantes pessoas capazes de “transmitir a verdade na dimensão humana”, em vez de alguém “mascarado de formalismos”.

“O contacto respeitoso e diário com o trabalho duro e do testemunho de homens e mulheres que trabalham nas vossas instituições vai dar-vos a muito necessária dose de realismo para que a vossa ciência seja ciência humana e não de laboratório”, concluiu.
OC

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Explosão de dois carros-bomba mata 25 pessoas na Síria


Explosão de dois carros-bomba mata 25 pessoas na Síria


Na notícia (desenvolvida no JN) refere que mulheres e crianças perderam a vida, esta loucura na Síria não pode deixar de nos inquietar, mais de 150 mil pessoas já perderam a vida, 9 milhões expulsas das suas casas, incluindo 2,6 milhões de refugiados, isto desde março de 2011 (3 anos!!!). Será que ninguém se dá conta da brutalidade dos números!? 
Mas neste ocidente mais interessado nos "mercados", notícias estas notícias passam para segundo plano. Sempre é melhor entreter e anestesiar as pessoas com a vitória do At. Madrid contra o Barcelona!







Apenas vos deixo o Salmo 10:

"Senhor, porque te conservas à distância
e te escondes cos tempos de angústia?
No seu orgulho, o ímpio persegue infeliz;
que ele seja apanhado na cilada que armou.
O pecador vangloria-se da sua ambição;
o ganancioso blasfema e despreza o Senhor.
O ímpio diz, na sua arrogância:
"Ele não me castigará! Deus não existe!"
É só nisto que ele pensa.
Julga que os seus caminhos hão-de prosperar sempre,
mas os teus juízos estão muito acima dele;
ele despreza todos os seus adversários-

Diz em sei coração: "Jamais serei abalado;
não hei-de cair na desgraça."
A sua boca está cheia de maldição e mentira;
na sua língua só há malícia e maldade.

Põe-se de emboscada justo aos povoados
e esconde-se para matar o inocente;
os seus olhos espiam o infeliz.
Escondido como o leão no seu covil,
arma ciladas para assaltar o indefeso
e, quando o apanha, arrasta-o na sua rede.
Abaixa-se, deita-se por terra
e as suas garras caem por em cima dos infelizes.

Depois, diz em seu coração: "Deus esquece-se
e desvia o rosto para não ter de ver mais."
Levanta-se, Senhor! Ó Deus, ergue a tua mão
e não te esqueças dos miseráveis.
Porque há-de o ímpio desprezar a Deus
e dizer no seu coração que Tu não castigas?
Mas Tu vês a angústia e o pesar, 
observas tudo e temas essa causa nas tuas mãos,
A ti se abandona confiadamente o pobre ;
Tu és o amparo do órfão.

Quebra p braço dos ímpios e dos pecadores;
castiga a sua maldade, para que ela desapareça.

O Senhor é rei para sempre;
desapareçam os pagãos, da terra que lhe pertence.
Ouve, Senhor, o grito dos humildes;
atende-os e conforta-os no seu coração.
Faz justiça aos órfãos e oprimidos;
e que ninguém, neste país,
volte a espalhar o terror."








segunda-feira, 31 de março de 2014

Sugestão: Livro - Introdução ao Evangelho segundo Mateus (D. António Couto) (Ed. Paulus)

Introdução ao Evangelho segundo Mateus
(D. António Couto)



Um livro de fácil leitura e muito útil da compreensão do Evangelho. Sem incursões aprofundadas, é no entanto uma ferramenta extremamente bem elaborada, apresentado por um grande especialista, este que é o primeiro Evangelho a ser escrito é aqui colocado de uma forma clara facilitando uma leitura correta a todos.









Sinopse:
Além de fornecer as chaves fundamentais que ajudam a uma melhor compreensão do Evangelho segundo Mateus, esta introdução também apresenta, no seu contexto, muitos textos, o que pode facilitar o estudo e a leitura. O texto do Evangelho é, como se sabe, sempre a filigrana ou a pedra preciosa que há que encontrar. As palavras desta breve introdução querem prestar apenas o humilde serviço de ajudar a encontrar a filigrana. 

D. António Couto nasceu em 1952 em Vila Boa do Bispo, Marco de Canaveses. É licenciado emTeologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Urbaniana (1986), onde fez também o doutoramento (1989). É presbítero desde dezembro de 1980 e bispo desde julho de 2007. Foi nomeado bispo de Lamego a 19 de novembro de 2011. É presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização.

(Fonte: Editora Paulus



C.C.C.: Evento : Ciclo sobre Jesus Cristo (Parte 2)

O Rosto de Jesus na Arte no Centro de Cultura Católica


A projeção no dia 1 de abril, às 21 horas, do  documentário O Rosto de Jesus na Arteencerra o Ciclo sobre Jesus Cristo,organizado pelo Centro de Cultura Católica do Porto. O documentário mostra a presença de Jesus na arte no arco temporal da história do cristianismo, numa projeção de grande beleza e significado.


De há quase dois milénios para cá, a imagem de Cristo aparece nas obras de arte de todo o mundo, com semblantes diversos, mas sempre reconhecíveis: de rei dos reis a senhor omnipotente; de gentil rabino a amigo que se compadece ou a ser humano que sofre. Cada civilização, cada época e cada artista tem a sua imagem de Jesus. Este documentário utiliza as mais modernas tecnologias digitais para apresentar os seus milhares de rostos e propõe uma extraordinária viagem através da história da arte, a partir das representações iconográficas das origens, passando pelos grandes mestres da pintura, sem esquecer as imagens mais ousadas dos artistas contemporâneos. O tema da representação do divino no curso dos séculos sofreu numerosas transformações e foi objeto de críticas e debates, mas também deu vida a obras-primas, apreciadas tanto pela sua beleza e intensidade, como pelo seu valor religioso. Ao longo dos seus 110 minutos de duração, o documentário passa pelas seguintes sequências temáticas: O evangelho segundo Giotto; a arte paleocristã; a “verdadeira imagem”; a paixão de Cristo; o renascimento; a arte cristã no mundo; a era moderna; a luz divina.
Fica o convite e o pedido de divulgação. A entrada é livre.
Mais informações sobre esta e outras atividades do Centro em ccc.diocese-porto.pt.
(Fonte: CCC)






domingo, 23 de março de 2014

“ONDE ESTÁS?” (Gn 3,9)

“Onde estás?” (Gn 3,9)


Esta pergunta que Deus faz no Livro do Génesis, é a mesma que faria atualmente! 

A busca no facilitismo faz-nos aliar do inefável, “escondendo-nos” da exigência e do compromisso, é sempre mais fácil optar por um new-age ateísta, pouco esclarecido e pretensioso.

Este “novo” ateísmo torna presente conceitos positivistas, assumindo-se primordialmente revestido com um carácter de “afronta”, colocando-se quase numa postura maniqueísta. O principal alvo centra-se essencialmente, não no debate da existência ou não de Deus, mas sim numa batalha (alimentada pelos média) contra as expressões religiosas, e em particular o cristianismo católico. O espaço de debate ficou extremamente reduzido, o ateísmo atual apresenta-se de uma forma radical: ou se “está com ele”, ou se é “contra ele”. Isto tem levado a um extremar de posições o que, tanto para crentes como para não crentes, em nada contribui para o esclarecimentoa aposta centra-se num exagero grotesco e de pouco valor intelectual.

É importante salientar que estas barreiras não são exclusivas do ateísmo, há também um número significativo de cristãos que em nada colaboram para a abertura de pontes de diálogo!
  
A sabedoria não pode fechar-se somente em teorias, esta tem que se abrir a todos, numa profunda doação no ensino da vida, no saber viver. Os sábios, que já nas escrituras são mencionados (“maskkilîn” ) como aqueles que através da sua coragem e fidelidade  dão testemunho da verdade. Como nos mostra o segundo Livro dos Macabeus, o sábio não cede à mentira (nem aos falsos deuses), foca-se na verdade e com ela vive. O sábio não foge à verdade em nenhuma circunstância, antes alimenta-a com o saber e com a praxis.

Neste contexto de coragem pela verdade, é importante salientar que na passagem em que Jesus refere que não trás a paz mas a espada (cf. Mt 10,34), esta frase prende-se com a luta pela verdade, uma verdade que corta os laços com a hipocrisia e com a mentira. Da mesma forma que o dar a outra face (cf. Mt 5,39; Lc 6,29) é também uma exaltação da verdade. Por ela podemos ter que sofrer as consequências, por ela somos muitas vezes obrigados a pegar na nossa cruz (cf. Mt 16,24; Mc 8,34; Lc 9,23);  sendo que este dar a outra face em nada entra em contradição com o facto de Jesus no julgamento não a ter dado (cf. Mt 26,67; Mc 14,65). Dar a outra face nada tem a ver com masoquismo, assim como trazer a espada com violência, tudo isto se prende com o compromisso e a consequência de se estar sempre com a Verdade.



Deus não é comprovável ao nível científico, no entanto a sua presença é bem percetível, a sua presença é verdadeiramente próxima, daí que o debate tem que se centrar no posicionamento de cada um perante a vida e o outro. A expressão de Deus é feita por nós (cf. Jo15,12), na relação com aquilo que está ao nosso redor; hoje e que com as possibilidades tecnológicas que dispomos, o nosso redor alargou-se ao mundo, no entanto, sentados em frente a um ecrã (horas e mais horas), a proximidade física está a perder-se, o tempo para os outros é pouco e controlado, chegamos ao ponto em que estar com os filhos faz parte das tarefas colocadas nas agendas electrónicas. 



É interessante notar que muitas vezes “conhecemos” mais (ou assim pensamos) um “amigo” das redes sociais, do que o nosso vizinho da frente…!


Toda a realidade tem que ser analisada com o devido cuidado, muitas vezes as críticas ateístas aparecem descontextualizadas do contexto bíblico para desta forma argumento se pareça mais forte, este procedimento, nada “científico”, aumenta ainda mais a impossibilidade para a abertura a qualquer diálogo.

Nos dias de hoje egoísmo corrompe o homem, abrindo-o para a indiferença perante o seu redor e claro de Deus.

Este abandono de Deus, mesmo por parte de muitos que se denominam crentes, leva a uma atitude perante a realidade em que a tomada de consciência pelo outro aparece, em muitos casos, camuflada por uma mentirosa piedade não passando, muitas vezes, da satisfação de um interesse particular e assim obter mais-valia, fica sempre bem perante a sociedade mostrar que se ajuda... Tudo se quantifica em perca ou ganho, o dar está a esvaziar-se de sentido, o outro tornou-se um meio para atingir um fim de satisfação pessoal materialista, e não um fim em ação gratuita. Dar-se ao outro em gratuidade não se prende exclusivamente com ajuda financeira, prende-se também com a disponibilidade de estar com o outro, de usar as capacidades pessoais para mostrar caminhos novos, sem jamais querer nada em troca, porque quem vier por este caminho com a ideia de “status”, reconhecimento e outras ambições pessoais, mude então o rumo (cf. Tg 2,18).